As tecnologias de informação (TI) transcenderam o papel de suporte para se tornarem um motor de inovação. Assim, a gestão de custos de TI já não é apenas cortar despesas – é um pilar estratégico para a resiliência e competitividade.
O estudo global IT Cost Optimization 2025, realizado pela Crayon e SoftwareOne, resultado de um inquérito a mais de 2.300 decisores de TI em 20 países, mostra como as empresas estão a enfrentar um contexto cada vez mais complexo: diversas soluções cloud, infraestruturas on-premises e sistemas cada vez mais suportados por Inteligência Artificial (IA).
Em Portugal, participaram 100 decisores de TI de empresas com mais de 200 colaboradores. Os resultados revelam que o país acompanha as principais tendências globais, mas com particularidades próprias de menor maturidade, dentro do expectável.
Questionados sobre os fatores com maior impacto na gestão de custos de TI, os líderes portugueses alinham-se com os resultados globais. Os três mais citados foram:
- Otimização de custos com a cloud/FinOps
- Automatização suportada por Inteligência Artificial
- Redução de custos em infraestruturas on-premises
Estes três vetores, que representam os pilares da estratégia de otimização de custos em TI, são também as áreas onde se concentram os maiores desafios, o que reforça a necessidade de abordagens mais estruturadas e colaborativas.
Otimização dos custos com a Cloud: um desafio quase universal
A adoção da cloud começou por ser uma resposta à promessa de agilidade e controlo de custos por via do modelo pay-as-you-go. o que levou a uma fase de adoção entusiasmada e muitas vezes não otimizada, resultando num choque financeiro.
A dor é quase universal: o custo da cloud tornou-se difícil de prever e controlar. 94% dos decisores globais de TI (97% em Portugal) referem dificuldades na otimização dos custos cloud. Em Portugal, alinhado com o resto do mundo, este desafio manifesta-se em:
- Flutuações de custos inesperadas (47%): Este é um sintoma clássico da ausência de práticas estruturadas como FinOps, SAM ou HAM.
- O ambiente cloud é dinâmico, mas se não houver mecanismos de desligar recursos não utilizados ou fazer rightsizing, o custo dispara.
- Dificuldade em prever orçamentos (44%): A falta de previsibilidade dificulta o planeamento financeiro e mina a confiança entre as TI e o Negócio.
- Visibilidade limitada (41%): Não se pode gerir o que não se consegue ver. A granularidade dos gastos cloud exige ferramentas e processos para atribuir custos a equipas, projetos ou produtos.
A cloud tornou-se essencial para agilidade e inovação, mas o seu custo permanece difícil de antecipar e controlar. Para responder a esta realidade, muitas organizações recorrem a práticas de FinOps, que permitem maior transparência e monitorização dos consumos.
FinOps: na agenda das empresas, mas ainda pouco maduro
O FinOps é a formalização da disciplina necessária para a maturidade da cloud. É o framework que transforma o controlo de custos num esforço colaborativo entre as áreas de tecnologia, finanças e negócio.
O estudo global mostra que 90% das organizações já têm práticas de FinOps, seja numa fase inicial, com alguns processos, ou com uma estratégia totalmente integrada. Em Portugal, a percentagem é inferior, mas significativa: 82%.
A maturidade, contudo, continua limitada: apenas 13% das organizações portuguesas têm uma estratégia totalmente integrada (face a 19% a nível global). Isto significa que as empresas reconhecem a importância do FinOps, mas muitas ainda se encontram numa fase inicial, em que o alinhamento entre equipas de TI, operações e finanças está por consolidar.
O desafio é transformar o FinOps de uma ferramenta de otimização numa mudança cultural. Sem uma integração cultural, a visibilidade e a responsabilidade descentralizada não se concretizarão.
IA: ganhos visíveis, riscos significativos
A inteligência artificial já desempenha um papel significativo na gestão de custos. A nível global, 60% das empresas já utilizam IA para automatizar processos de TI, tornando-a uma alavanca para otimização de custos. Em Portugal, são cerca de 50% das empresas inquiridas.
No entanto, a IA é um fator de custo que precisa de ser controlado antes de poder controlar outros custos. Os líderes de TI em Portugal reconhecem barreiras significativas na gestão dos gastos relacionados com IA, sendo as preocupações dominantes:
- Falta de competências (35%): Este é um fator-chave. A complexidade do desenvolvimento e operação de modelos de IA (incluindo o consumo de GPU/CPU) exige conhecimento para garantir a eficiência e o controlo de custos.
- Segurança ou conformidade (33%) e privacidade de dados (33%): Os receios relacionados com a segurança e privacidade dos dados, e a incerteza regulatória, impedem o investimento pleno e a criação de frameworks robustos para controlar o impacto da IA nos orçamentos.
O cenário sugere que Portugal está numa fase de exploração cautelosa. O grande desafio é desenvolver a capacidade de governação da IA para que o seu potencial de automatização se concretize, sem que os seus custos e riscos saiam do controlo.
O equilíbrio entre cloud e on-premises
Um dos fatores referidos no estudo como tendo impacto nos custos totais de TI é a gestão da infraestrutura on-premises. A dificuldade em otimizar os custos da cloud levou a uma inevitável reavaliação: a cloud não é vista como solução única. O dilema híbrido é evidente: 32% do orçamento híbrido/cloud em Portugal está a ser considerado para mover recursos para infraestruturas on-premises.
O principal motivo para os investimentos on-premises, referido por 53% das organizações, é a necessidade de maior controlo sobre a infraestrutura. Este fator — o controlo — pode explicar porque muitas organizações continuam reticentes em mover determinados recursos para a cloud.
Embora a soberania de dados não apareça entre os motivos mais referidos neste estudo (33% global e 24% em Portugal), é um tema que tem vindo a ganhar peso nas conversas com líderes de TI. Num contexto marcado por conflitos geopolíticos e pela predominância tecnológica dos EUA e da China, a preocupação com a localização e a governação dos dados está a subir na agenda das organizações. Mais do que uma questão técnica, trata-se de um fator estratégico que influencia decisões sobre onde investir — seja em cloud, seja em infraestruturas on-premises — e que terá impacto crescente nos próximos anos.
Em paralelo, 34% do mesmo orçamento está a ser considerado para reforçar a cloud, impulsionado pela redução de overheads de manutenção e pela adoção da IA.
Este paradoxo mostra a tensão entre a necessidade de controlo e segurança e a procura por flexibilidade e inovação. A decisão de mover workloads para on-premises ou para a cloud é um indicador claro de que as organizações estão a procurar ativamente as estratégias híbridas ideais, que equilibrem o risco financeiro e a agilidade tecnológica.
Sustentabilidade: uma prioridade em afirmação
Globalmente, 88% dos líderes de TI afirmam que a sustentabilidade é importante nas decisões de procurement. Em Portugal, o número é semelhante, reforçando a presença do tema nas agendas dos decisores de TI.
Na prática, 93% das organizações portuguesas dizem já ter iniciativas para reduzir emissões associadas à infraestrutura de TI. As mais comuns são a migração para cloud e data centers mais eficientes (45%) e a aquisição de hardware com menor consumo energético.
Nota-se que, em Portugal, a prioridade continua centrada na infraestrutura, enquanto globalmente ganham peso medidas relacionadas com aplicações e escolha de fornecedores com compromissos ambientais.
Conclusão e caminho a seguir para as empresas Portuguesas
O retrato de Portugal em 2025 mostra um alinhamento claro com os desafios globais: ambientes híbridos, FinOps e IA estão no centro da agenda.
A jornada da cloud ensinou que a liberdade da tecnologia é insustentável sem a disciplina da gestão de custos. O caminho a seguir passa por:
- Acelerar a maturidade FinOps, como uma mudança cultural
- Capacitar a governação da IA
- Maximização do ROI de processos FinOps e ITAM através da automação por IA
- Estratégias híbridas que equilibram inovação com controle
- Maior visibilidade e responsabilidade transversal à organização, abrangendo software, infraestrutura e pessoas
A otimização de custos de TI torna-se no ato de maximizar valor. A resiliência e competitividade dependem da capacidade das áreas de TI, finanças e negócio falarem a mesma língua.
Na SoftwareOne, ajudamos organizações de todos os setores a acelerar a maturidade de FinOps, obter o controle da IA e construir estratégias de gestão de custos de TI – financeiramente, operacionalmente e de forma sustentável.

